Categoria certa no Perfil da Empresa pesa mais que perfil bonito, mostra estudo com 1,8 milhão de negócios
Um estudo publicado pela Whitespark analisou 1,8 milhão de Perfis da Empresa do Google, espalhados por 4.209 categorias, para responder a uma pergunta simples: o que realmente move o ranking na busca local? A resposta não envolve gastar mais em anúncio nem contratar agência. Envolve dois pontos que qualquer dono de negócio pode ajustar hoje mesmo, de graça, no próprio painel do Google: a categoria escolhida e o quanto o perfil está completo. Veja os números do estudo e o que fazer com eles.
O que o estudo mediu
A pesquisa foi conduzida por Darren Shaw, fundador da Whitespark, empresa especializada em SEO local, e publicada na Search Engine Land. A base analisada reuniu 1,8 milhão de Perfis da Empresa do Google em 4.209 categorias diferentes, cruzando a posição de cada perfil nos resultados de busca local com dois fatores: a categoria principal cadastrada e o nível de completude do perfil. É uma das maiores amostras já publicadas sobre o tema, o que dá mais peso às conclusões do que os estudos de caso isolados que costumam circular sobre como configurar o Google Meu Negócio.
Categoria específica bate categoria genérica
O achado central: perfis com categoria principal específica tiveram 36% mais chance de aparecer no top 10 da busca local do que perfis com categoria genérica, 12,5% contra 9,2% de presença no top 10. A posição média também mudou, 45,8 para categorias específicas contra 50 para as genéricas. O padrão se repetiu categoria após categoria:
- Salões de beleza: quem usou a categoria "Salão de cabeleireiro" apareceu no top 10 em 11,3% das buscas do setor, contra 3,2% de quem ficou na categoria ampla "Salão de beleza".
- Advocacia: "Advogado criminalista" teve posição média 44,7, bem à frente da categoria genérica "Advogado", com posição média 57,1.
- Restaurantes: categorias de nicho, como "Restaurante de tapas", tiveram posição média muito melhor dentro do próprio nicho (28,8) do que categorias amplas como "Pizzaria" (74,8) tiveram dentro do universo, maior e mais disputado, de restaurantes.
A explicação não é mágica: uma categoria específica enfrenta menos concorrência direta e casa melhor com o que a pessoa realmente busca. Quem procura "advogado criminalista" quer isso, não um escritório de advocacia genérico, e o Google tenta entregar exatamente essa correspondência. Vale o alerta: a lição não é trocar de categoria para fugir da concorrência, é descrever com precisão o que o negócio de fato faz. Como já mostramos no artigo sobre por que a IA às vezes cita a lista de um concorrente em vez do seu negócio, informação mal categorizada tende a prejudicar o próprio perfil, não só deixar de ajudar.
Categoria adicional soma pontos, quando faz sentido
O estudo também testou o efeito de combinar a categoria principal com categorias adicionais relacionadas. Perfis com a combinação certa tiveram ganhos de 6 a 17 posições em relação a perfis com apenas uma categoria cadastrada. O exemplo citado: clínicas veterinárias que somaram a categoria principal "Veterinário" com a categoria adicional "Atendimento de emergência veterinária" chegaram a posição média 33,9, um resultado bem melhor do que o de perfis cadastrados só como veterinário genérico. O recado é usar as categorias adicionais para cobrir os serviços que o negócio realmente oferece, sem forçar categorias que não têm relação nenhuma com o que é feito no dia a dia. A própria Whitespark mantém um guia gratuito sobre como escolher categorias no Perfil da Empresa, útil para quem quer revisar a lista completa disponível no Google.
Perfil completo também rankeia mais
O segundo eixo do estudo foi um índice de completude, de 0 a 5, somando cinco itens: site cadastrado, descrição do negócio, horário de funcionamento, fotos e status de verificação do perfil. A diferença entre a nota mais baixa e a mais alta foi grande:
- Nota 0 (perfil quase vazio): posição média 62, presença de 4% no top 10.
- Nota 5 (perfil completo): posição média 43, presença de 13% no top 10.
São quase 19 posições de diferença, só por preencher campos que já estão disponíveis de graça no painel do Google, sem custo nenhum além do tempo. O estudo também mostrou que a completude varia bastante por setor: negócios de serviços domésticos tiveram nota média 4,4 de 5, com 55% dos perfis totalmente completos, enquanto organizações comunitárias ficaram com nota média 3,0, com só 22% dos perfis completos. Ou seja, em muitos setores ainda existe uma vantagem fácil de conquistar simplesmente terminando o que a concorrência deixou pela metade. Uma pesquisa separada da BrightLocal reforça por que vale a pena: a fatia de consumidores que já usa IA para achar negócios locais saltou de 6% para 45% em um ano, o que torna cada detalhe do perfil ainda mais visível, também para quem pergunta a uma IA em vez de digitar no Google.
O que fazer no seu Perfil da Empresa hoje
Nenhum dos dois ajustes exige orçamento de marketing, só atenção:
- Revise a categoria principal: troque uma categoria genérica por uma que descreva com precisão a especialidade do negócio, sem inventar um nicho que não corresponde à realidade.
- Adicione categorias secundárias reais: liste os serviços que o negócio de fato presta, sem exagerar na quantidade nem incluir algo que não seja verdade.
- Complete os cinco itens do índice: site, descrição, horário atualizado, fotos recentes e verificação do perfil. Se algum desses campos está vazio ou desatualizado, é o primeiro ponto a corrigir esta semana.
- Não pare no perfil: categoria e completude ajudam a busca local tradicional, mas o mesmo cuidado com informação clara e atualizada também é a base para aparecer bem citado pela IA, como já detalhamos no estudo sobre o Gemini citando o site da própria empresa em buscas locais.
Os limites do estudo, e um ajuste barato por trás dos números
A amostra é grande, mas a leitura pede cautela. Os exemplos detalhados no relatório são de perfis nos Estados Unidos, e o comportamento exato de cada categoria pode variar no mercado brasileiro, com outro idioma e outro nível de concorrência local. O estudo também mede correlação entre categoria, completude e posição, não prova isolada de causa, outros fatores, como avaliações e proximidade de quem busca, continuam pesando no ranking e não foram o foco central da análise. Vale lembrar também que perfis falsos que imitam o Google seguem sendo um problema à parte, como mostramos no alerta sobre o golpe do falso selo verificado no Perfil da Empresa, sem relação com o ranking em si.
Ainda assim, o valor do estudo da Whitespark não é revelar um segredo, é confirmar com números que dois ajustes simples, categoria certa e perfil completo, têm peso real no ranking da busca local. Para quem já tem um plano de SEO local em andamento, vale conferir se esses dois pontos básicos não ficaram esquecidos no meio de ações mais complexas. Na apareça.ai, é justamente esse tipo de ajuste, barato e mensurável, que costuma trazer o retorno mais rápido antes de qualquer investimento maior.
Perguntas frequentes
Qual foi o principal achado do estudo da Whitespark?
Analisando 1,8 milhão de Perfis da Empresa do Google em 4.209 categorias, a Whitespark encontrou dois fatores com peso claro no ranking local: a categoria principal escolhida (quanto mais específica, melhor) e o quanto o perfil está completo (fotos, horário, site, descrição e status verificado). Perfis com categoria específica tiveram 36% mais chance de aparecer no top 10 do que perfis com categoria genérica.
Por que uma categoria específica rankeia melhor do que uma genérica?
Porque enfrenta menos concorrência e casa melhor com a intenção de quem busca. O estudo achou que negócios cadastrados como "Salão de cabeleireiro" apareceram no top 10 em 11,3% das buscas do setor, contra 3,2% de quem usou a categoria mais ampla "Salão de beleza". O mesmo padrão se repetiu em advocacia, com "Advogado criminalista" superando "Advogado" de forma genérica, e em outros setores.
Trocar de categoria só para fugir da concorrência funciona?
Não é essa a lição do estudo. A categoria continua precisando descrever exatamente o que o negócio faz: quem usa uma categoria de nicho se sai melhor porque de fato atende aquele nicho, não porque escolheu uma categoria aleatória com menos concorrentes. Cadastrar a categoria errada pode até derrubar o perfil, já que o Google cruza a categoria com o restante das informações do negócio.
O que é o índice de completude do perfil usado no estudo?
Uma nota de 0 a 5 que a Whitespark montou olhando cinco itens: site cadastrado, descrição do negócio, horário de funcionamento, fotos e status de verificação do perfil. Perfis com nota 5 tiveram posição média 43 nos resultados, contra posição média 62 para perfis com nota 0, uma diferença de quase 19 posições só por preencher o que já está disponível de graça no painel do Google.
Categorias adicionais ajudam ou atrapalham?
Ajudam, quando fazem sentido. O estudo mediu combinações de categoria principal mais categoria adicional e viu ganhos de 6 a 17 posições em relação a perfis com uma categoria só. O exemplo citado foi veterinário combinado com atendimento de emergência veterinária, que teve posição média bem melhor do que veterinário sozinho.
Esse estudo vale igual para negócios no Brasil?
A tendência geral tem boa chance de se repetir aqui, já que o algoritmo de busca local é o mesmo, mas a amostra e os exemplos do estudo são de perfis nos Estados Unidos. Os números exatos de cada categoria não devem ser tratados como garantia para o mercado brasileiro, o caminho mais seguro é aplicar os dois princípios (categoria específica e perfil completo) e acompanhar o resultado no seu caso.




