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SEO7 min de leitura·28 ago 2026

Atualização de spam de agosto do Google foi a mais dura do ano, mostra estudo com 100 mil palavras-chave

Gianluca Ferro
Gianluca FerroFundador da Ferro Labs e sócio da apareça.ai
Atualização de spam de agosto do Google foi a mais dura do ano, mostra estudo com 100 mil palavras-chave

Durante semanas, o mercado de SEO discutiu se a atualização de spam de agosto de 2026 do Google seria "mais uma de rotina" ou algo mais sério. Um estudo da SE Ranking, divulgado no fim de agosto, respondeu com números: a atualização quase dobrou a taxa de sites que caíram do top 10 para fora do top 100, na comparação com um período comum, sem atualização confirmada. Veja o que o levantamento mediu, quais setores mais sofreram e como diferenciar, no seu próprio site, o que é efeito dessa atualização do que é outro problema.

O que o estudo mediu

A SE Ranking analisou resultados orgânicos do Google nos Estados Unidos para 100 mil palavras-chave, distribuídas em 20 setores, comparando as posições de 17 de agosto (véspera do rollout) com as de 22 de agosto (logo depois). Para servir de referência, a empresa fez a mesma comparação num intervalo de cinco dias em julho, entre 26 e 31, quando o Google não tinha nenhuma atualização confirmada em andamento. É essa comparação entre "com atualização" e "sem atualização" que permite dizer o quanto do movimento veio de fato da atualização de spam, e não da oscilação normal que qualquer ranking já tem.

O tamanho do estrago, em números

Segundo o levantamento, divulgado pelo Search Engine Land, 16,71% das URLs que estavam no top 10 em 17 de agosto caíram além da posição 100 depois da atualização, contra 9,2% no período de referência de julho. Isso representa um aumento de 82% na taxa de sites que somem do topo, tornando uma URL do top 10 cerca de 1,8 vez mais propensa a desaparecer do top 100 durante essa atualização do que num período comum. Do outro lado, a SE Ranking também viu um aumento de 12 pontos percentuais na proporção de URLs que chegaram ao top 3 depois da atualização sem sequer estar no top 20 antes dela, ou seja, houve troca real de posições, não só queda.

Quais setores sofreram mais

O estudo cobriu 20 setores, e a volatilidade no top 10 variou bastante entre eles: de 74,64% no setor de imóveis até 85,55% em moda e beleza, o mais afetado. Setores como saúde, finanças e e-commerce, que já concentram boa parte das práticas de spam que o Google tenta combater (conteúdo raso feito em escala, páginas afiliadas sem valor próprio, texto copiado), também ficaram entre os mais instáveis. Isso é coerente com o que o Google já vinha sinalizando: a atualização não criou categoria nova de penalidade, apenas reforçou a aplicação das políticas de spam que já existiam, como explicamos em Google libera atualização de spam de agosto de 2026: seu site pode ser afetado?.

A instabilidade não parou quando o rollout terminou

O rollout oficial da atualização de spam começou em 18 de agosto, às 9h27 (horário do Pacífico), e levou cerca de dois dias e meio para concluir, por volta de 21 de agosto. Mas a comunidade de SEO seguiu registrando oscilação de ranking depois disso, segundo o Search Engine Roundtable. Parte dessa instabilidade posterior parece vir de uma atualização de núcleo (core update) separada, que o Google começou a distribuir em 26 de agosto. Isso complica um pouco o diagnóstico de quem só olha a data do lançamento oficial: uma queda de tráfego registrada depois de 21 de agosto pode ter relação com essa segunda atualização, não com a de spam. É um padrão parecido com o que já vimos no início do mês, quando o mercado registrou picos de instabilidade sem atualização confirmada.

Como saber se a queda no seu site tem relação com essa atualização

Antes de concluir que o Google "perseguiu" o seu site, vale cruzar algumas informações:

  • Confira a data exata em que o tráfego caiu no Search Console, na aba de desempenho, e compare com as janelas de 18 a 21 de agosto (spam) e a partir de 26 de agosto (core update).
  • Veja se a queda foi generalizada, em várias páginas do site ao mesmo tempo, ou concentrada numa página específica. Queda concentrada costuma ter outra causa, como as listadas em Por que meu site não aparece no Google.
  • Compare o tamanho da sua queda com a média do seu setor. Se o seu segmento está entre os mais voláteis (moda, beleza, saúde, finanças, e-commerce) e a queda foi parecida com a média, é mais provável que seja efeito da atualização, e não um problema exclusivo do seu site.
  • Reveja se o site tem página com conteúdo raso, copiado ou desatualizado, já que é exatamente esse tipo de página que a atualização de spam mira, um ponto que também tratamos em O Google entende o que sua empresa faz.

O que muda na prática para o pequeno negócio

Um negócio pequeno com site honesto, que descreve de verdade o que faz e onde atende, dificilmente é alvo direto de uma atualização de spam. O risco maior costuma estar em detalhes que parecem inofensivos: página antiga copiada de um modelo genérico, texto gerado em massa sem revisão, ou conteúdo publicado só para tentar ranquear, sem ajudar quem está pesquisando de verdade. Os números da SE Ranking mostram que quem se beneficiou da atualização foi justamente o oposto: páginas que não estavam nem no top 20 conseguiram chegar ao top 3, o que sugere que o Google está reorganizando espaço, não apenas punindo. Se o seu tráfego caiu, o próximo passo é auditar o site com calma, como já sugerimos em Como saber se o site traz clientes, em vez de assumir que basta esperar o algoritmo "voltar ao normal".

Perguntas frequentes

O que foi a atualização de spam de agosto de 2026 do Google?

Foi a terceira atualização de spam do Google em 2026, iniciada em 18 de agosto e concluída por volta de 21 de agosto. Ela aplicou as políticas de spam já existentes do Google, sem criar categoria nova, mirando principalmente conteúdo de baixa qualidade e violações de spam em geral, como já detalhamos em Google libera atualização de spam de agosto de 2026: seu site pode ser afetado?

Quais foram os números reais de impacto, segundo o estudo?

A SE Ranking comparou 100 mil palavras-chave em buscas nos Estados Unidos, em 20 setores, entre 17 e 22 de agosto, e viu 16,71% dos sites que estavam no top 10 caírem além da posição 100. No mesmo tipo de comparação num período sem atualização confirmada, em julho, essa taxa foi de 9,2%. Ou seja, quase o dobro.

Quais setores sofreram mais com a atualização?

A volatilidade no top 10 variou de 74,64% no setor de imóveis até 85,55% em moda e beleza. Setores como saúde, finanças e e-commerce, historicamente mais visados por conteúdo de spam, também apareceram entre os mais afetados.

Minha posição caiu essa semana. Isso é culpa dessa atualização?

Pode ser, mas nem toda queda de agosto vem dela. O rollout terminou por volta de 21 de agosto, mas a comunidade de SEO registrou instabilidade de ranking mesmo depois disso, incluindo um novo indício de atualização de núcleo (core update) a partir de 26 de agosto. Vale comparar a data exata da queda no seu tráfego com essas janelas antes de concluir qual mudança te afetou.

Se meu site é honesto, corro risco nessa atualização?

O risco é baixo. Atualizações de spam miram práticas específicas, como texto gerado em massa sem revisão, páginas que só existem para manipular ranking ou conteúdo copiado sem valor próprio. Um negócio real, com informação verdadeira sobre o que faz e onde atende, dificilmente é o alvo.

O que fazer agora que os números do impacto já são conhecidos?

Use os números como referência: se a queda no seu site for muito maior do que a média do seu setor, o problema provavelmente não é só a atualização, e vale revisar conteúdo raso, duplicado ou desatualizado no site antes de esperar uma recuperação automática.

Gianluca Ferro
Escrito por
Gianluca Ferro
Fundador da Ferro Labs e sócio da apareça.ai. Palestrante de IA e fundador da Viaggi Vistos, projetos já citados por Globo, CNN Brasil e Zero Hora.

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