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Entender a inteligência artificial7 min de leitura

Google diz que a antiga "posição de 1 a 10" ficou difícil de medir

John Mueller, do Google, respondeu no Reddit em 10 de setembro de 2026 que a antiga forma de medir posição de 1 a 10 nas buscas ficou difícil de mapear, ou de deixar útil para donos de site. O motivo: a página de resultados hoje tem AI Overviews, perguntas relacionadas geradas por IA e vários outros formatos que não cabem mais numa lista simples de dez links. Entenda o que isso significa para quem acompanha o Google Search Console e como pensar em visibilidade sem depender só do número da posição.

Gianluca Ferro

Fundador da Ferro Labs e sócio da apareça.ai

Neste artigo

O Google admitiu que uma das métricas mais usadas por quem cuida de um site, a posição de 1 a 10 nos resultados de busca, ficou difícil de mapear. A frase é de John Mueller, da equipe de Search do Google, em resposta publicada no Reddit em 10 de setembro de 2026. O motivo apontado por ele não é uma mudança de algoritmo, mas o formato da própria página de resultados, que hoje mistura AI Overviews, perguntas relacionadas geradas por IA e outros blocos que não cabem mais numa lista simples de dez links.

O que Mueller disse, e onde

A declaração veio como resposta a uma pergunta sobre como o Google Search Console conta impressões para recursos de inteligência artificial na busca. Segundo o relato da Search Engine Roundtable, Mueller escreveu que "a antiga posição de 1 a 10 é difícil de mapear, ou de deixar útil para donos de site", porque "as páginas de resultados de busca têm muitas formas de o usuário interagir hoje em dia". Ele completou dizendo que, por ora, o Google está acompanhando o desempenho em recursos de IA generativa como um bloco só, sem separar posição individual dentro desse relatório, e que a equipe está aberta a sugestões de quem usa a ferramenta no dia a dia. É uma admissão pouco comum: normalmente o Google prefere dizer que uma métrica antiga "ainda funciona bem", não que ela ficou difícil de aplicar.

Por que a página de resultados parou de caber em dez posições

Até pouco tempo atrás, "posição 3" ou "posição 7" queria dizer uma coisa clara: o lugar exato do seu site numa lista vertical de links azuis. Hoje essa mesma busca pode trazer um AI Overview no topo, com várias fontes citadas dentro do mesmo bloco, sem ordem óbvia de posição, seguido de uma caixa de perguntas relacionadas que, como mostrou um levantamento recente sobre essas perguntas, já responde quase tudo com texto gerado por IA, e só depois disso a lista tradicional de links. Não existe mais uma única forma de descrever "onde" o seu site apareceu, porque ele pode aparecer em mais de um lugar ao mesmo tempo, em nenhum deles, ou só dentro de uma citação escondida num bloco de IA que a maioria dos usuários nem expande.

O que isso significa para o relatório de IA no Search Console

O Google já tinha dado um passo nessa direção em julho, quando o Search Console passou a mostrar um relatório separado para saber se o site aparece nas respostas de IA do Google. A fala de Mueller confirma uma limitação desse relatório: ele mostra impressões e cliques ligados a recursos de IA como um grupo, mas não diz em que posição dentro desse grupo o seu conteúdo foi usado. Para quem está acostumado a olhar posição média no relatório de desempenho tradicional, essa ausência incomoda, mas reflete uma dificuldade real de medir algo que, na prática, não tem mais uma ordem fixa. A própria documentação do Google sobre esse relatório, disponível no Search Central, ainda trata o assunto como algo em evolução, sem prometer uma métrica de posição detalhada no curto prazo.

De posição para presença: a mudança de foco que importa

Para um negócio pequeno, a consequência prática é uma mudança de pergunta. Em vez de perguntar "em que posição estou para essa palavra-chave", vale mais perguntar "meu negócio aparece quando alguém procura isso, em qualquer um dos formatos possíveis". Essa lógica já apareceu num levantamento recente com 131 especialistas sobre fatores de ranqueamento, que colocou relevância e qualidade de conteúdo no topo, não a posição exata, e se conecta com o que também vimos quando o AI Mode parou de citar fontes em determinadas respostas: o que conta, cada vez mais, é se um conteúdo é bom o suficiente para ser usado, e não em que posição numérica ele fica. Aqui no apareça.ai, essa é uma mudança que já vínhamos avisando: posição isolada virou um dado incompleto, e vale mais a pena olhar o quadro inteiro de onde o negócio aparece.

O que fazer enquanto a métrica de posição perde força

Nenhuma dessas mudanças significa abandonar o Search Console ou parar de acompanhar dados. Significa ajustar o que se olha e como se interpreta. Algumas mudanças práticas ajudam:

  • Olhar cliques e impressões totais, não só posição média, já que a posição isolada conta cada vez menos da história.
  • Revisar o relatório de desempenho em IA generativa do Search Console periodicamente, mesmo sem detalhamento de posição dentro dele.
  • Acompanhar se o próprio negócio aparece citado quando alguém pergunta diretamente para uma ferramenta de IA sobre o assunto, não só dentro do Google.
  • Manter conteúdo com informação de primeira mão, como preço real e experiência própria, que tende a ser mais citado independentemente de posição.

A dificuldade não é exclusividade do Search Console: análises de mercado, como o guia de otimização para buscas generativas publicado pelo Search Engine Land, já vinham apontando que ferramentas de rastreamento de posição (rank tracker) precisam se adaptar para tentar capturar presença em blocos de IA, e não só a lista tradicional de links, justamente porque um número de posição sozinho não reflete mais o que o usuário realmente vê na tela.

Um sinal de que a métrica antiga está sendo repensada

O fato de Mueller reconhecer publicamente a dificuldade, e pedir sugestões sobre o que seria útil medir, sugere que o próprio Google ainda não tem uma resposta pronta para substituir a posição de 1 a 10. Isso não é motivo para pânico, mas é um bom momento para quem cuida de um site pequeno parar de tratar a posição como o único termômetro de sucesso e passar a olhar para o quadro mais amplo: apareço, sou citado, sou útil, com ou sem um número de posição para provar isso.

Perguntas frequentes

O que John Mueller disse exatamente sobre a posição de 1 a 10?

Em 10 de setembro de 2026, respondendo perguntas no Reddit sobre como o Google Search Console conta impressões para recursos de IA generativa, Mueller escreveu que "a antiga posição de 1 a 10 é difícil de mapear, ou de deixar útil para donos de site", porque a página de resultados hoje tem muitas formas diferentes de o usuário interagir.

Por que a posição de 1 a 10 deixou de fazer sentido?

Porque a página de busca não é mais uma lista simples de dez links azuis. Hoje ela mistura AI Overviews no topo, com várias citações dentro do mesmo bloco, perguntas relacionadas já respondidas por IA, e outros formatos espalhados pelo meio dos resultados. Não existe uma única posição fixa para descrever onde o seu site apareceu.

Isso significa que o Google Search Console vai parar de mostrar posição?

Não necessariamente. Mueller explicou que, por enquanto, o Google trata o desempenho em recursos de IA como um bloco só, sem separar posição individual dentro do relatório de IA generativa do Search Console, e disse que a equipe está aberta a sugestões sobre o que seria útil mostrar.

O que isso muda na prática para quem tem um negócio pequeno?

Muda a pergunta que vale a pena fazer. Em vez de perguntar "em que posição meu site está", faz mais sentido perguntar "meu negócio aparece quando alguém busca isso", seja num link tradicional, numa citação dentro de uma resposta de IA ou numa pergunta relacionada. É uma mudança de foco, de posição para presença.

Ferramentas de rastreamento de posição (rank tracker) ainda servem para alguma coisa?

Ainda ajudam a acompanhar tendência ao longo do tempo, mas cada vez mais como um retrato parcial. Elas continuam medindo bem a lista tradicional de links, só que essa lista hoje é só uma parte da página, então um número de posição isolado conta cada vez menos da história completa.

Onde posso acompanhar se o meu site aparece nas respostas de IA do Google?

O próprio Search Console já mostra um relatório específico para isso, separado da busca tradicional, ainda que sem detalhar posição dentro dele. Vale revisar esse relatório periodicamente, junto com o relatório de desempenho normal, para ter uma visão mais completa de onde o seu negócio está sendo mostrado.