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Entender a inteligência artificial6 min de leitura

Estudo com 2 milhões de produtos mostra que o AI Mode do Google cobra mais caro e exibe itens diferentes da busca comum

Um estudo da Productrise, publicado em 1 de setembro de 2026, comparou mais de 2 milhões de listagens de produtos entre o AI Mode e a busca tradicional do Google e encontrou que o AI Mode mostra, em média, preços 21,6% mais altos para o mesmo produto, além de exibir um conjunto de produtos quase totalmente diferente. Entenda o que foi medido, o que o Google respondeu e o que isso muda para quem vende online.

Gianluca Ferro

Fundador da Ferro Labs e sócio da apareça.ai

Neste artigo

Um estudo publicado em 1 de setembro de 2026 pela Productrise, empresa que acompanha listagens de produtos no Google, encontrou uma diferença que interessa direto a quem vende pela internet: quando o mesmo produto aparece tanto na busca tradicional quanto no AI Mode do Google, o preço mostrado no AI Mode é, em média, 21,6% mais alto. A empresa também descobriu que o AI Mode mostra um conjunto de produtos quase totalmente diferente do que aparece na busca comum. Entenda o que foi medido, o que o Google respondeu e o que isso muda (e o que não muda) para quem depende do Google Shopping para vender.

O que o estudo mediu

A Productrise rodou buscas idênticas de produtos ao mesmo tempo na busca tradicional do Google e no AI Mode, todos os dias, entre 9 e 31 de agosto de 2026. Ao todo foram acompanhadas mais de 2 milhões de listagens de produtos em mais de 100 mil páginas de resultado, nos Estados Unidos e no Reino Unido, usando o identificador de produto do Google para garantir que o item comparado era exatamente o mesmo dos dois lados. O resultado: apenas 1,28% dos produtos que aparecem na busca tradicional também aparecem no AI Mode para a mesma consulta no mesmo dia. Quando o carrossel de busca mostra em média 27,8 produtos, o AI Mode mostra apenas 3,9. E quando o mesmo produto aparece nos dois formatos, o preço é diferente em 38,1% dos casos, sendo mais alto no AI Mode em 68,4% dessas vezes, com diferença média de 21,6% (podendo chegar a uma mediana de 22,2% nos casos em que o AI Mode cobra mais). A cobertura completa dos números está na Search Engine Journal.

Por que os dois formatos mostram coisas diferentes

Segundo Hugo Huijer, fundador da Productrise, a explicação mais provável está em como cada formato escolhe o que exibir. A busca tradicional, no carrossel de compras, tende a priorizar o preço mais baixo disponível para um produto. Já no AI Mode, o preço mais baixo não é um fator decisivo na escolha de qual oferta aparecer primeiro, o que faz o sistema puxar vendedores e ofertas diferentes dos que aparecem na busca comum. Isso ajuda a explicar tanto a baixa sobreposição de produtos quanto a diferença de preço encontrada no estudo. A reportagem da MediaPost traz mais detalhes sobre essa leitura.

A resposta do Google

Procurado pelos veículos que cobriram o estudo, o Google afirmou que "todos os resultados de compras na Busca do Google, incluindo AI Mode e a página de resultados de busca, são alimentados pela mesma fonte de dados: o nosso Shopping Graph". A empresa disse ainda que não verificou a exatidão dos números divulgados pela Productrise e reforçou que o comprador sempre pode clicar em um anúncio de produto para comparar preços antes de decidir. Ou seja, o Google não negou a diferença de comportamento entre os dois formatos, apenas não confirmou os percentuais exatos apurados pelo estudo. O estudo original da Productrise traz a metodologia completa, incluindo a ressalva de que os dados registram o que aparece na tela, não cliques ou compras de fato.

Por que isso importa para quem vende produtos online

Para um pequeno negócio que também depende do Google Shopping ou do Merchant Center para aparecer em buscas de produto, esse estudo traz um ponto prático importante: ter o menor preço da categoria pode pesar menos dentro do AI Mode do que pesa na busca tradicional. Vale destacar três consequências diretas:

  • Se a sua estratégia de preço competitivo foi pensada só para vencer o carrossel de compras tradicional, ela pode não ter o mesmo efeito dentro do AI Mode, porque o critério de seleção parece ser outro.
  • Como só 1,28% dos produtos aparecem nos dois formatos ao mesmo tempo, um negócio pode estar bem posicionado na busca comum e simplesmente não aparecer no AI Mode para a mesma pesquisa, sem nenhum erro técnico envolvido.
  • O próprio Google reconhece que os dois formatos usam a mesma base de dados, o Shopping Graph, então manter as informações de produto completas e atualizadas no Merchant Center continua sendo o requisito básico para aparecer em qualquer um dos dois lugares.

Isso é parte de um padrão maior no AI Mode

Esse episódio se soma a outros sinais recentes de que o AI Mode ainda se comporta de forma diferente e, às vezes, imprevisível em relação à busca tradicional. Só essa semana, o Google confirmou que o modelo Gemini 3.8 Flash quase parou de citar fontes dentro do AI Mode, um comportamento tratado como bug e não como mudança de estratégia. Isso segue o mesmo padrão já visto em outros levantamentos, como o que mostrou que estar no top 10 da busca tradicional não garante aparecer citado pela IA. A união dos dois formatos, anunciada pelo próprio Google no balanço do segundo trimestre, como mostramos no texto sobre como AI Overviews e AI Mode passaram a funcionar como uma experiência só, não significa que os dois critérios de seleção de produto ou de fonte tenham ficado iguais. Na prática, cada formato continua com suas próprias regras internas, mesmo compartilhando a mesma base de dados.

O que fazer com essa informação agora

Não há nenhuma ação de emergência aqui, mas dá para agir com o que já se sabe. Mantenha o cadastro de produtos completo e correto no Google Merchant Center, já que é a fonte usada pelos dois formatos. Se o seu negócio compete por preço, não assuma que o menor preço automaticamente aparece em destaque no AI Mode, então vale testar buscas dos seus próprios produtos periodicamente nos dois formatos para ver como o seu negócio aparece em cada um. E, como sempre reforçamos aqui no apareça.ai, quem vende produto online se beneficia de ter um site próprio bem estruturado por trás do anúncio, não só uma listagem solta no Shopping. Para quem quer entender esse ponto com mais calma, vale a leitura sobre o que realmente faz um site profissional vender.

Perguntas frequentes

O que o estudo da Productrise descobriu sobre o AI Mode do Google?

A Productrise comparou mais de 2 milhões de listagens de produtos entre o AI Mode e a busca tradicional do Google, entre 9 e 31 de agosto de 2026, e encontrou que apenas 1,28% dos produtos aparecem nos dois formatos ao mesmo tempo. Quando o mesmo produto aparece nos dois, o preço é diferente em 38,1% dos casos, sendo mais alto no AI Mode em 68,4% dessas vezes.

Por que o AI Mode mostra preços mais altos que a busca tradicional?

Segundo o fundador da Productrise, a busca tradicional tende a priorizar o menor preço disponível no carrossel de compras, enquanto o AI Mode não usa o preço mais baixo como fator decisivo para escolher qual oferta mostrar primeiro, o que muda os vendedores e produtos exibidos.

O Google confirmou os números do estudo?

Não. O Google disse que ainda não verificou a exatidão dos dados divulgados pela Productrise, mas confirmou que AI Mode e busca tradicional usam a mesma fonte de dados, o Shopping Graph, e recomendou que o comprador clique no anúncio para comparar preços antes de decidir.

Isso significa que vale a pena aumentar o preço dos meus produtos?

Não. O estudo não recomenda nenhuma mudança de preço. Ele mostra apenas que o critério de seleção de oferta no AI Mode parece ser diferente do critério da busca tradicional, então competir só pelo menor preço pode não garantir aparecer no AI Mode.

O que um pequeno negócio deveria fazer com essa informação?

O mais útil é manter o cadastro de produtos completo e atualizado no Google Merchant Center, já que essa é a base usada pelos dois formatos, e testar de tempos em tempos como os próprios produtos aparecem no AI Mode e na busca tradicional.

Esse é o único caso recente de o AI Mode se comportar de forma diferente do esperado?

Não. Na mesma semana, o Google confirmou um bug em que o modelo Gemini 3.8 Flash quase parou de citar fontes dentro do AI Mode, reforçando que o formato ainda tem comportamentos inconsistentes em relação à busca tradicional.