Sua lista dos "melhores" pode estar recomendando o concorrente na IA, mostra estudo
Uma análise publicada nas últimas semanas pela pesquisadora de SEO Lily Ray trouxe um número que deveria incomodar qualquer negócio que já escreveu uma página do tipo "os melhores da categoria" se colocando em primeiro lugar: em 69% dos casos, o Google AI Overviews cita essa página como fonte, mas recomenda um concorrente no lugar. Ou seja, aparecer na resposta da IA não é a mesma coisa que ser indicado por ela. Neste artigo, explico o que o estudo divulgado pelo Search Engine Land encontrou, por que isso acontece e o que muda na prática para quem tem um pequeno negócio e investe em conteúdo para aparecer nas respostas de inteligência artificial.
O que o estudo descobriu
Lily Ray analisou 100 buscas do tipo "melhor software da categoria X" dentro do Google AI Overviews, repetindo o teste em três datas diferentes ao longo de alguns meses. Das buscas que geraram uma resposta de IA, páginas do tipo listicle autopromocional (aquelas em que a própria empresa escreve "os melhores da categoria" e se coloca no topo) foram citadas 323 vezes. Em 224 dessas citações, ou seja, 69% delas, o Google usou a página da marca como fonte, mas recomendou um concorrente na resposta final, segundo a análise completa publicada pela própria autora.
O padrão se repete: a marca escreve o conteúdo, o Google lê esse conteúdo e usa os dados dele, mas a IA decide, por conta própria, quem realmente merece ser indicado ao usuário. E, na maioria das vezes, quem é indicado não é quem escreveu o texto.
O exemplo que mostra o problema na prática
Um dos casos citados no estudo é revelador. Para a busca "melhor LMS para vender cursos online", o Google citou a página "os melhores" publicada pela própria Oasis LMS como fonte de dados. Só que, na recomendação final, a IA não mencionou a Oasis LMS. Ela recomendou Kajabi, Thinkific, LearnWorlds e Teachable, concorrentes que a própria Oasis havia citado dentro do seu texto para efeito de comparação.
Na prática, a empresa fez o trabalho de pesquisa, escreveu o conteúdo, ajudou o Google a entender o mercado e ainda assim viu a IA empurrar clientes para quem ela mesma havia listado como alternativa.
Por que a IA cita mas não recomenda
A explicação mais provável, segundo quem acompanha esses estudos, é que o modelo usa o conteúdo autopromocional como fonte de informação (categorias, recursos, preços, comparações), mas decide a recomendação final com base em outros sinais: quem já lidera a categoria, quem é mencionado com mais frequência por sites de terceiros e quem tem um perfil de backlinks e autoridade mais forte fora do próprio site. Dito de outro modo, escrever sobre si mesmo ajuda a IA a te entender, mas não ajuda a IA a confiar em você. Um levantamento independente sobre sinais fora do site chegou a uma conclusão parecida: a maior parte da descoberta de marca dentro de respostas de IA vem de fontes que não pertencem à própria empresa.
Esse comportamento conversa direto com uma tendência que já vinha aparecendo em outros levantamentos sobre GEO: fontes independentes (avaliações reais, imprensa, diretórios, menções em sites que não são seus) pesam mais na hora de uma IA recomendar uma marca do que qualquer texto que a própria marca escreve sobre si.
Citação não é o mesmo que recomendação
Esse é talvez o ponto mais importante para levar deste estudo. Muita gente que acompanha otimização para IA comemora quando vê o nome do próprio site aparecer como fonte numa resposta de IA, sem checar se a marca também foi recomendada dentro daquela mesma resposta. São coisas diferentes: ser citado significa que a IA usou seu conteúdo para montar a resposta, ser recomendado significa que a IA disse ao usuário "vá com essa empresa". Um estudo recente já havia mostrado que nem toda IA cita da mesma forma, e agora fica claro que nem toda citação vira indicação.
Isso explica também por que negócios que investem pesado em conteúdo comparativo próprio às vezes não veem retorno: o conteúdo pode estar alimentando a resposta da IA sobre o mercado, sem colocar a própria marca dentro dela.
O que fazer no seu negócio
A partir desses achados, algumas mudanças práticas fazem sentido para pequenos negócios que dependem de indicação, e não só de visibilidade:
- Priorize aparecer em listas "os melhores" escritas por terceiros (blogs do seu setor, imprensa local, diretórios especializados) em vez de depender só de uma página própria dizendo que você é o melhor;
- Reforce provas de confiança e autoridade fora do próprio site: avaliações reais no Google, no Reclame Aqui e em diretórios do seu segmento contam mais do que um texto autoelogioso;
- Se você publica comparações com concorrentes, tenha consciência de que isso pode ajudar a IA a entender o mercado sem necessariamente favorecer você na recomendação final;
- Peça, sempre que possível, para clientes satisfeitos deixarem avaliações em canais externos, isso pesa mais para ser recomendado do que qualquer página interna sobre "por que somos os melhores".
Nenhuma dessas ações garante entrar na recomendação de uma IA, mas todas aumentam a chance real, porque atacam o sinal que o estudo mostrou que mais importa: validação vinda de fora do seu próprio site.
O que isso muda para quem está começando agora
Se você ainda está estruturando sua presença online, o recado não é parar de escrever sobre o que sua empresa faz bem. É entender que esse tipo de conteúdo tem um teto: ele ajuda a IA a te encontrar, mas quem decide se você é recomendado costuma ser o que outras pessoas e outros sites dizem sobre você. Combinar um site bem feito, com boas práticas de otimização para IA, com um trabalho constante de conseguir menções externas genuínas continua sendo o caminho mais sólido, mesmo sem garantias. É por isso que a apareça.ai trata presença de marca fora do próprio site como parte do trabalho, e não como um extra opcional depois que o site já está pronto.
Perguntas frequentes
O que o estudo de Lily Ray descobriu sobre listas de "os melhores" na IA?
Analisando 100 buscas do tipo "melhor software da categoria X" no Google AI Overviews, o estudo encontrou que, em 69% dos casos em que uma empresa citava a si mesma numa página "os melhores", o Google usava essa página como fonte, mas recomendava um concorrente na resposta final.
Por que o Google cita minha página, mas recomenda o concorrente?
Porque o modelo parece usar o conteúdo autopromocional como fonte de dados sobre o mercado (categorias, preços, recursos), mas decide a recomendação com base em outros sinais, como autoridade de marca, menções de terceiros e quem já lidera a categoria fora do próprio site.
Isso significa que devo parar de publicar conteúdo comparativo sobre meu produto?
Não necessariamente. O conteúdo comparativo ainda ajuda a IA a entender seu mercado e pode gerar tráfego direto. O ponto é não tratar essa página como garantia de recomendação e investir também em menções vindas de fontes externas.
O que pesa mais para uma IA recomendar uma marca de verdade?
Segundo os dados disponíveis até agora, contam mais avaliações reais em canais externos, presença consistente em imprensa e diretórios do setor, e um perfil de backlinks e menções que já existia antes daquele conteúdo específico ser publicado.
Esse problema acontece só no Google AI Overviews ou também em outras IAs?
O estudo mencionado focou no Google AI Overviews, mas o princípio geral (citação de fonte não é o mesmo que recomendação de marca) tende a valer também para ChatGPT, Perplexity e outras ferramentas, já que todas separam a etapa de buscar informação da etapa de decidir o que sugerir.
O que um pequeno negócio pode fazer para ser recomendado, e não só citado?
Buscar aparecer em listas "os melhores" escritas por terceiros, conseguir avaliações reais em canais externos, manter presença consistente em diretórios do setor e não depender só de conteúdo próprio para provar que é uma referência na área.




