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GEO8 min de leitura·13 jul 2026

SEO garante citação no Google e no Perplexity, mas não no ChatGPT, mostra estudo

Gianluca Ferro
Gianluca FerroFundador da Ferro Labs e sócio da apareça.ai
SEO garante citação no Google e no Perplexity, mas não no ChatGPT, mostra estudo

Um estudo publicado neste mês trouxe um número que vale a pena parar para pensar: ranquear bem no Google explica 93% das citações do Google AI Mode e 89% das do Perplexity, mas explica só 30% das citações do ChatGPT. Ou seja, a mesma receita de SEO que funciona muito bem para duas ferramentas de IA quase não funciona para a mais popular delas. Neste artigo, explico o que o estudo descobriu, por que cada ferramenta de IA cita de um jeito diferente e o que isso muda na prática para quem tem um pequeno negócio e quer aparecer nas respostas geradas por inteligência artificial.

O que o estudo descobriu

A plataforma de visibilidade em IA CiteLens rodou 320 buscas reais de intenção de compra em quatro ferramentas de IA (ChatGPT, Perplexity, Claude e o Google AI Mode) e comparou cada fonte citada com os resultados orgânicos do Google e do Bing para a mesma pergunta. A ideia era simples: descobrir se ranquear bem na busca tradicional realmente aumenta a chance de ser citado pela IA, ou se cada ferramenta segue uma lógica própria.

O resultado, resumido, é que não existe uma resposta única. Existem pelo menos três comportamentos diferentes escondidos atrás da pergunta "como apareço na IA":

  • Google AI Mode: 93% das fontes citadas vêm do top 10 do Google, com correlação de 0,92 entre posição no ranking e chance de citação;
  • Perplexity: 89% das fontes citadas também vêm do top 10, com correlação de 0,87;
  • Claude: só 53% das citações vêm do top 10, e 58% delas foram para sites com página própria na Wikipédia, ranking ou não;
  • ChatGPT: apenas 30% das citações vêm do top 10 do Google ou do Bing, e 70% das fontes recomendadas não aparecem entre os dez primeiros resultados de nenhum dos dois buscadores.

Google AI Mode e Perplexity: SEO ainda é o ingresso de entrada

Para essas duas ferramentas, a lógica é a mais próxima do que qualquer dono de pequeno negócio já está acostumado a ouvir: quem ranqueia bem no Google tem uma chance real de ser citado. Isso faz sentido, porque tanto o Google AI Mode quanto o Perplexity dependem fortemente de resultados de busca tradicionais para montar suas respostas, então o trabalho de SEO local e de SEO básico bem feito continua valendo, e valendo muito, para essas duas portas de entrada.

Isso é uma boa notícia para quem já vem investindo em conteúdo, em palavras-chave certas e em uma ficha completa no Google. O esforço não é perdido, ele só não é suficiente para cobrir todo o tabuleiro, como o restante do estudo mostra.

Claude: a "máquina de marca" que valoriza autoridade de entidade

O Claude se comporta de um jeito diferente. Ranquear bem ajuda, mas pesa menos do que ter o que os pesquisadores chamam de autoridade de entidade: um nome de marca reconhecido, citado de forma consistente em várias fontes independentes, muitas vezes com página própria na Wikipédia. Na prática, o Claude parece perguntar "essa marca é conhecida e confiável?" antes de perguntar "essa página está bem posicionada no Google?".

Para pequenos negócios, isso reforça algo que já tratamos aqui no blog: presença consistente do nome da empresa em vários canais, imprensa local, diretórios, redes sociais e citações externas conta tanto quanto, ou mais, do que só otimizar uma página para ranquear. É o mesmo princípio por trás do E-E-A-T, aplicado agora também às respostas de IA.

ChatGPT: a caixa preta que ignora o ranking

O dado mais desconfortável do estudo é sobre o ChatGPT, hoje a ferramenta de IA mais usada por consumidores. Com 70% das fontes citadas fora do top 10 de busca, o comportamento dele parece seguir preferências internas do próprio modelo, treinadas durante o desenvolvimento, e não sinais públicos de ranking que qualquer site consiga influenciar diretamente. Isso é coerente com o que já vimos em outra pesquisa recente, que identificou que o ChatGPT alterna entre buscadores ocultos e muda de fonte sem avisar: são duas evidências apontando na mesma direção, a de que essa ferramenta específica não segue as mesmas regras do SEO tradicional.

Isso não quer dizer que seja impossível aparecer no ChatGPT, só que o caminho é menos previsível e menos controlável do que no Google. A recomendação mais honesta, hoje, é não apostar todas as fichas nessa ferramenta como se fosse a mesma coisa que ranquear no Google.

O que isso muda na prática para o seu negócio

A conclusão mais importante do estudo é que não existe um único "SEO para IA". Existem pelo menos três lógicas diferentes rodando ao mesmo tempo, e uma estratégia pensada só para uma delas deixa as outras duas de fora. Isso é exatamente o argumento por trás do conceito de GEO (otimização para mecanismos generativos): como cada ferramenta decide de um jeito diferente quem citar, o trabalho precisa ser amplo, e não mirado num único alvo.

Na prática, isso significa combinar três frentes ao mesmo tempo:

  • Manter o SEO tradicional em dia, porque ele ainda é a base para o Google AI Mode e o Perplexity, os dois com maior correlação entre ranking e citação;
  • Investir em presença de marca fora do próprio site, com menções consistentes em imprensa, diretórios e páginas de terceiros, para pesar a favor do Claude e de ferramentas parecidas;
  • Aceitar que o ChatGPT é, por enquanto, o mais imprevisível dos quatro, e não tratar uma citação isolada nele como prova de que a estratégia está certa ou errada.

Se você ainda está organizando por onde começar, o checklist de otimização para IA que já publicamos aqui reúne os passos práticos que sustentam as três frentes ao mesmo tempo, já que a base (conteúdo claro, dados estruturados, informação consistente) é comum a todas elas.

O que ainda não dá para saber

Vale ser direto sobre os limites desse estudo: as 320 buscas analisadas vieram de um recorte específico de consumo, não cobrem todo tipo de negócio ou de pergunta, e o comportamento de cada ferramenta de IA muda com o tempo, à medida que os modelos são atualizados. O próprio estudo reforça essa cautela ao mostrar, por exemplo, que a correlação do Claude com autoridade de marca é uma tendência observada, não uma regra fixa e documentada pela Anthropic. Ainda assim, o padrão geral, de que cada ferramenta segue uma lógica diferente e nenhuma delas é igual à busca tradicional, já apareceu em mais de um levantamento independente nas últimas semanas, o que dá mais peso à conclusão.

É esse tipo de dado que sustenta por que a apareça.ai trabalha as três frentes junto, SEO, presença de marca e conteúdo citável, em vez de vender uma fórmula única de "otimização para IA". Nenhuma ferramenta séria promete controlar o que o ChatGPT vai citar amanhã, mas dá para aumentar as chances em todas as portas de entrada ao mesmo tempo.

Perguntas frequentes

O que é o estudo CiteLens e como ele foi feito?

É um levantamento da plataforma de visibilidade em IA CiteLens, que rodou 320 buscas reais de intenção de compra em quatro ferramentas (ChatGPT, Perplexity, Claude e Google AI Mode) e comparou as fontes citadas por cada uma com os resultados orgânicos do Google e do Bing para a mesma pergunta.

Ranquear bem no Google ajuda a aparecer em todas as IAs?

Não igualmente. Ajuda muito no Google AI Mode (93% das citações vêm do top 10) e no Perplexity (89%), ajuda menos no Claude (53%) e explica só 30% das citações do ChatGPT, segundo o estudo.

Por que o Claude cita fontes que não ranqueiam bem no Google?

Porque ele parece dar mais peso à autoridade de marca do que à posição no ranking. O estudo encontrou que 58% das citações do Claude foram para sites com presença consolidada, muitas vezes com página própria na Wikipédia, independente de estarem no top 10 de busca.

Por que o ChatGPT é chamado de 'caixa preta' nesse estudo?

Porque 70% das fontes que ele recomenda não aparecem entre os dez primeiros resultados do Google nem do Bing para a mesma busca, o que sugere que ele segue preferências internas do modelo, e não sinais públicos de ranking.

Então o SEO tradicional perdeu valor?

Não. Ele continua sendo a base mais forte para duas das quatro ferramentas analisadas, Google AI Mode e Perplexity. O que mudou é que ele deixou de ser suficiente sozinho para cobrir Claude e ChatGPT, que seguem lógicas diferentes.

O que um pequeno negócio deve fazer com essa informação?

Manter o SEO local em dia, investir em presença de marca consistente fora do próprio site (imprensa, diretórios, menções externas) e não tratar uma citação isolada no ChatGPT como garantia de que a estratégia está funcionando ou falhando.

Gianluca Ferro
Escrito por
Gianluca Ferro
Fundador da Ferro Labs e sócio da apareça.ai. Palestrante de IA e fundador da Viaggi Vistos, projetos já citados por Globo, CNN Brasil e Zero Hora.

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