Ranking #1 no Google já não garante aparecer na IA: só 38% das citações vêm do top 10, mostra estudo
Durante anos, a régua do SEO foi simples: quanto mais alto no Google, mais visível o negócio. Um estudo recente da Ahrefs, com 4 milhões de citações em AI Overviews analisadas, mostra que essa régua não serve mais sozinha. Hoje apenas 38% das citações nas respostas de IA do Google vêm de páginas que estão no top 10 dos resultados tradicionais, uma queda enorme frente aos 76% registrados em meados de 2025. Entenda o que mudou e o que isso significa para quem toca um pequeno negócio.
O que mostra o novo estudo da Ahrefs
A Ahrefs analisou 863 mil buscas e 4 milhões de URLs citadas em AI Overviews usando o Gemini 3, a versão mais recente do modelo do Google por trás desse recurso. O resultado da distribuição das citações por posição no ranking tradicional foi este:
- 37,9% das citações vêm de páginas que estão no top 10 do Google para aquela busca
- 31,2% vêm de páginas nas posições 11 a 100
- 31,0% vêm de páginas que nem aparecem entre as 100 primeiras posições
Ou seja, mais de 60% das citações hoje vêm de fora do top 10. Em meados de 2025, a mesma métrica apontava 76% de citações vindas do top 10. A relação direta entre "estar bem ranqueado" e "ser citado pela IA", que já foi quase automática, está cada vez mais fraca.
Por que isso está acontecendo: o "query fan-out"
A explicação por trás dessa mudança tem nome: query fan-out. Em vez de responder a uma pergunta com base em uma única busca, o Google Search agora quebra a pergunta original em várias buscas relacionadas, executa todas elas nos bastidores e monta a resposta reunindo as páginas mais relevantes de cada uma dessas subconsultas, como explica o Search Engine Land. Uma pergunta como "melhor contador para MEI" pode virar, por trás dos panos, buscas como "quanto custa um contador para MEI", "contador online x contador presencial" e "documentos que o MEI precisa entregar por mês", cada uma trazendo fontes diferentes para compor a resposta final.
Isso muda o alvo de quem escreve para ser encontrado. Não adianta mirar em uma única palavra-chave e tentar vencer o ranking tradicional para ela: o sistema está comparando o seu conteúdo com o de páginas relevantes para dezenas de variações da mesma dúvida. Já mostramos em outro artigo que o Google também descartou a ideia de que fragmentar o texto em blocos ajuda a IA a te entender melhor, veja em chunking não existe, diz o Google: o que pesa é cobrir o assunto de forma completa, não picar o texto.
O papel crescente do YouTube nas citações de IA
Outro dado chama atenção no estudo: 18,2% das citações que vêm de fora do top 10 são do YouTube, e o vídeo já responde por 5,6% de todas as citações em AI Overviews, um crescimento de 34% em seis meses. Isso reforça algo que já vale há tempos para SEO local: presença em outros formatos, como vídeo, ajuda a aparecer em mais lugares, inclusive onde o texto do seu site sozinho não chegaria. Se o seu negócio ainda não tem nenhum conteúdo em vídeo, vale considerar isso como parte da estratégia, não como algo opcional.
O que isso muda na prática para o seu negócio
A boa notícia é dupla. Primeiro, se o seu site ainda não está no topo do Google para todas as buscas importantes, isso não te tira automaticamente da corrida para aparecer nas respostas de IA. Segundo, o esforço certo deixou de ser "brigar pela primeira posição a qualquer custo" e passou a ser cobrir o assunto de forma completa. Na prática, isso significa:
- Responder não só a pergunta principal do cliente, mas as variações dela (preço, prazo, como funciona, diferença entre opções)
- Ter páginas ou seções que cobrem dúvidas relacionadas, não só a página de vendas do produto ou serviço
- Considerar formatos além do texto, como vídeos curtos explicando o serviço, já que o YouTube ganhou peso nas citações
- Manter as páginas atualizadas, como já mostramos em site desatualizado, a IA está te esquecendo
Não confunda "ser citado" com "estar em primeiro lugar"
Vale reforçar: o estudo não diz que ranking parou de importar. Ranquear bem continua sendo a forma mais confiável de aparecer, já que o top 10 ainda concentra a maior fatia isolada de citações (37,9%, contra 31,2% e 31,0% das outras duas faixas). O que mudou é que não ranquear em primeiro não significa mais estar fora do jogo da IA. Para quem tem um negócio pequeno e não tem orçamento para brigar pela primeira posição em buscas concorridas, essa é uma notícia positiva: ainda existe espaço para aparecer citado, desde que o conteúdo seja completo e resolva a dúvida de verdade, como explicamos em o que é GEO (Generative Engine Optimization).
Como acompanhar se o seu site está sendo citado
Antes, era quase impossível saber se o seu site aparecia dentro de uma resposta de IA. Isso mudou com o relatório de desempenho em IA generativa do Google Search Console, que mostra impressões e páginas citadas em AI Overviews e no AI Mode, como detalhamos em Search Console agora mostra se o seu site aparece nas respostas de IA. Vale a pena acompanhar esse relatório com regularidade, especialmente depois de publicar conteúdo novo cobrindo perguntas relacionadas ao seu negócio, para entender se a estratégia de cobrir o assunto por inteiro está funcionando.
O resumo prático
O Google mudou a forma como escolhe o que citar nas respostas de IA, e isso reduziu a dependência do ranking tradicional. Não é motivo para abandonar o SEO, mas é motivo para parar de mirar só na primeira posição de uma palavra-chave isolada. O caminho agora é cobrir o assunto de forma completa, considerar outros formatos como vídeo e acompanhar de perto o que o Search Console mostra sobre suas próprias citações.
Perguntas frequentes
O que o estudo da Ahrefs descobriu?
Que apenas 37,9% das citações em AI Overviews do Google vêm de páginas que estão no top 10 dos resultados de busca tradicionais para aquela mesma pergunta. Em meados de 2025, essa fatia era de 76%. O estudo analisou 863 mil buscas e 4 milhões de URLs citadas usando o Gemini 3, modelo atual por trás das AI Overviews.
Isso quer dizer que ranquear bem no Google não importa mais?
Não. O top 10 ainda concentra a maior fatia isolada de citações, maior que cada uma das outras duas faixas (posições 11 a 100, e além da posição 100). O que mudou é que não estar em primeiro lugar deixou de significar estar fora do jogo da IA, já que mais de 60% das citações hoje vêm de fora do top 10.
O que é 'query fan-out' e por que ele explica essa mudança?
É a técnica pela qual o Google quebra uma pergunta em várias buscas relacionadas nos bastidores antes de montar a resposta de IA, reunindo fontes de cada uma dessas subconsultas. Isso espalha as citações entre mais páginas e mais posições de ranking, em vez de concentrar tudo nas primeiras posições de uma única palavra-chave.
Por que o YouTube aparece tanto no estudo?
Porque 18,2% das citações que vêm de fora do top 10 são de vídeos do YouTube, que já responde por 5,6% de todas as citações em AI Overviews, um crescimento de 34% em seis meses. Isso mostra que diversificar formato, e não só o texto do site, também ajuda a aparecer mais nas respostas de IA.
O que devo fazer diferente no meu site a partir disso?
Pare de mirar em uma única palavra-chave isolada e passe a cobrir o assunto de forma completa, respondendo às variações da mesma dúvida (preço, prazo, como funciona, comparação com outras opções). Considere também produzir vídeos curtos sobre o seu serviço e manter as páginas atualizadas.
Como sei se o meu site está sendo citado nas respostas de IA do Google?
Pelo relatório de desempenho em IA generativa dentro do Google Search Console, que mostra impressões e páginas citadas em AI Overviews e no AI Mode. Vale acompanhar esse relatório com regularidade, principalmente depois de publicar conteúdo novo.




